FUGANTI, Luiz. “Transcrição da aula aberta sobre filosofia”, 16/12/2002.
É difícil, nos nossos tempos atuais, a gente ainda apreender a intimidade e a imanênciada própria arte em relação à vida, em relação a uma vida livre, emrelação a um pensamento livre, em relação a um corpointensificado, que é o que mais se escondeu, nesses últimos tempos (...) porque queremos sobreviver. Então nós investimos em formas e maneiras de ser que acabam nos separando de nós mesmos. Nós acabamos investindo na nossa própria impotência. Nós acabamos investindo na representação como se a representação fosse uma instância máxima, como sea representação acabasse por nos revelar e traduzir um mundo superior em relação ao nosso próprio mundo,em relação ao mundo do nosso corpo, em relação ao mundo do nosso pensamento inconsciente, em relação àquiloque não é codificado por uma sociedade, por uma economia, por uma política, por uma história, por uma religião. E a gente acaba investindo na nossa própria repressão.
Suely Rolnik:
Os processos de “desterritorialização” estão exacerbados, ou seja, ocorrem em grande velocidade os muitos movimentos de perda de sentido, falência de sentido de um território.
Território não é somente um espaço ou tempo vivenciado pelo corpo, mas é algo que sustenta, mesmo que temporariamente, todo um modo de ser e de agir no mundo. Algo que pode ser “visto”, ou “sentido” pelo que o corpo expressa, e este corpo de sensação (corpo vibrátil) vivencia a desterritorialização como angústia: medo de morrer, medo de enlouquecer ou medo de não prosperar (perder credibilidade).
Para compreendermos esta questão, basta atentarmos para a grande quantidade de medicamentos produzidos atualmente, que tentam amenizar estes processos desterritorializantes: déficit de atenção, síndrome do pânico, depressão não são mais casos pontuais, muito pelo contrário. Buscando estabilidade engordamos a industria farmacêutica.
A arte é uma possibilidade de religar-se à vida em busca de produzir algo com estes processos desterritorializantes.
Um comentário:
A lesma em metamorfose coruja?
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