Ir-se, andar por espaços mais arejados,
terão ar? levarei comigo?
Menos estrangulados, menos paralisantes.
Partir de mim, partir-me, partir-se? - repartir?
Escapar com o fio de Ariadne?
Ir-se de mim para o amor?
Para o indefinido futuro?
Buraco negro?
Para lugares que se perdem nos olhares dos que ficam e caminham nos desertos.
partir para lugares onde não se sabe qual a paisagem, como é o terreno?
Mas partir sem demora,
partir para o incalculável,
Usando a bússola de mistérios e o fio que produzi com as aranhas.
vestindo imagens espalhadas no ar: nua. sem culpa.
antes da partida colocarei na caixa: o grande peso de minha armadura,
os 30 anos, a filha yang, o outro, o medo da morte, o medo da loucura,
do ridículo, do não saber.
Mas deixarei a caixa aberta para que olhem a minha partida.
Para seguir preciso de uma armadura estufada de espuma.
que encha o corpo de espaço vazio.
Encha de esquecimento.
partir antes que seja tarde.
antes de esquecer que existe este espaço esquecido e repleto.
Cheio de imagens costuradas, lançadas ao vento, de cabeça pra baixo.
um grande varal de roupas voando que circunda a cidade, dando limite,
como se fosse sua muralha.
Cidade da partida.
lesmari
Um comentário:
dica de viagem:
"Eu aprendi a ler o futuro com um turco vendedor de gravatas. o turco dizia:'encha sua mala com coisas boas e ruins, pois o trem não para no meio do caminho'. Eu escutei e ouvi e disse:'quanto mais eu cresço mais eu diminuo e é preciso que eu diminua para que algo exista"
(do José Agrippino de Paula, LUGAR PÚBLICO)
Postar um comentário