quarta-feira, 24 de setembro de 2008
gosto desta palavra.
terça-feira, 23 de setembro de 2008
cidade-chaminés
Soltam altas suas fumaças... nem sempre escuras de fuligem
algumas vezes expelem vapor dágua
nada incomum
de todas as cores... de tijolos.. de pinturas descascadas...
antigas como unhas de mulheres dama...
aquela beleza de suportar as agonias.
cidade sem ninfas, nem borboletas, nem palavras...
cidade feita de tosses de diferentes timbres.
grossuras, larguras, enfim daquilo que é só forma...
o conteúdo está no espaço!
lesmari
quinta-feira, 18 de setembro de 2008
A lesma eca
vocabulário
Bitchesca = é duas vezes tchesca.
Tchesca = lolha.
Lolha = filholha.
Minhoca = Coisa mais querida.
Marcio Sobrosa
lesbando - lesma + babando.
ou ainda, lesmabando - lesma + babando.
lesmacendo - lesma + amanhecendo.
lesmari
quarta-feira, 17 de setembro de 2008
lesmabando
segue concentrada em direção ao canteiro. é preciso muita atenção.. não toma ritalina.
não está só! sem olhos nem percebe.
o corpo sensível escuta. Ouve as pedras... concentra forças de percepção, mas sempre se lança cega!
é bando de lesma cega. só pelo toque-tato é que tem as outras. o encontro é viscoso, íntimo.
terça-feira, 16 de setembro de 2008
movimento
O Povo em lesmari, Cidade Invisível que não é uma cidade, e sim a diáspora da cidade de mesmo nome. Expulsam-se multidões de homens, mulheres e crianças contentes, alegres com suas bocas abertas de dentes brancos a mostra.
Livre, mesmo sem pernas: a cidade também caminha.
lesmari caminha colada ao chão e nenhum pé desavisado de passantes encontra seu pequeno corpo úmido.
lesmarib
segunda-feira, 15 de setembro de 2008
onde escapo?
domingo, 14 de setembro de 2008
lesmacendo
Vestindo roupas de leve alumínio a lesma passa com seu corpo de espelho.
Grudando e desgrudando ... refletindo as linhas --- interessante!
sem ser boa ou má-lesma. lesmacendo.
sem desculpas de culpas. lesmacendo.
Observa armas mais pontiagudas do que as suas, menos modestas.
compara sem desejar roubá-las.
Pensa menos no que pensam dela enquanto se desloca... lesmacendo.
Lesma criando asas?
Delícia esta tua apropriação.
Delícia esta forma de sentir o outro.
Sem desejar sê-lo.
É isto, outra forma de sentir: lesmacendo.
Pela manhã quando acordar estarei vazia.
Pela primeira vez é por mim que estarei vazia.
Mesmo assim estou grata cavaleiro zen de chapéu formoso.
Aprenderei a visitar sem que minha cleptomania me derrote.
Pela primeira vez é por mim que estarei vazia.
Mesmo assim estou grata cavaleiro zen de chapéu formoso.
lesmari calma lemacendo no domingo.
sexta-feira, 12 de setembro de 2008
Noite do dia 10 de semtembro de 2008.
na sala numa fruteira
a natureza está morta
laranjas, maçãs e pêras
bananas, figos de cera
decoram a noite torta
sob a janela do quarto
a cama dorme vazia
encaro nosso retrato
sorrindo sobre o criado
no meio da noite fria
está pingando o chuveiro
que banho mais apressado
molhado caíste fora
no espelho minh'alma chora
lá fora está tão gelado
sozinha nesta cozinha
em pé eu tomo um café
na pia a louça suja
me lembra da roupa suja
no tanque que a vida é
gosto desta palavra
adj. m. e f. 1 Amador de belas-artes, especialmente de música. 2 Que exerce uma arte, por gosto e não por obrigação. S. m. e f. Pessoa diletante.
DILETANTISMOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO......
O ano que vem
Eu passo minhas férias com você, gordinha
Só não diga que dançou nossa amizade
Isso não dança, isso não é tango
Pra dançar sem mais nem menos
Gordinha
Faço tudo pra poder
Ficar mais perto de você, gordinha
E isso é natural em mim
Poderia ser forçado
Mas não é o caso, você sabe
Mas você sabe mesmo?
Então diga
É difícil eu ficar seguro
Você faz cara de quem duvida
E eu juro
Essa certeza é tudo pra que eu possa amar
Gordinha
Bom, um pouco é exagero
A sua dúvida não é tão cruel assim
mas poderia ser, você há de convir
E ainda que você faça tudo por diletantismo
Uma ponta de maldade fica, gordinha
E isso corta o coração
Cortar que eu digo é metafórico
Mas que corta, corta o coração
Por isso eu te falei das férias, lembra?
Pra tentar uma reconciliação
terça-feira, 9 de setembro de 2008
lesmari
O leão vem seguindo seu rastro. Saberá dizer não.
Seja bem vindo timoneiro! Alegra-me tê-lo de voltar ao barco.
Começaremos por dançar na proa sem nossas dentaduras.
das vísceras
desejo
dos desejos
O teatro não é terapia, mas se for bom teatro. Teatro bem feito é terapêutico.
Interessa-me muito falar deste homem primitivo, que concebe bem a entrega para seu papel no ritual. Sem perder a relação com o agora e ao mesmo tempo abrindo o tempo, fazendo buracos na existência, não só dele, mas também de quem o vê e se relaciona com ele.
Percebo assim como uma forma de, por aquele tempo, rasgar o endurecimento “dos reais” e conectar-se com os possíveis.
És o homo ludes escapando e mostrando na precariedade a possibilidade de criar aqui.
Onde estão os homo ludes?
Talvez agora eles cantem lá fora!
lesmari
olhos de lesma
dos momentos de crise
Raramente durmo sozinha. Ando satisfeita.
Deu para viver sem nenhuma previsão?
“- E para a região norte não temos qualquer previsão!”. Perguntem aos Pajés, árvores, animais, ou mesmo percebam na hora que a chuva chegar e que o sol se por!
Acabo de esmagar uma lesma. Corri para ver as bolhas que saem de seu corpo gosmento. É adorável a morte de uma lesma! O corpinho se retorce e saem dela espuminhas. Ela não reage as provocações de um graveto. Solta! Entrega-se para terra. Para de sentir-se visgo em meio a aridez da terra. Ela é árida também.
Delírio de facas, facões, espadas, estocadas na bainha do céu horizontal onde escrevi aquelas palavras de gosto doce de corantes artificiais. Rebentar de vez este céu azul triste de anjinhos gordos e estéreis. Roubar-lhes os arcos e flechas e esconder no escuro profundo da terra usando-os quando no convier.
Lesmari
Partir antes do fim.
terão ar? levarei comigo?
Menos estrangulados, menos paralisantes.
Partir de mim, partir-me, partir-se? - repartir?
Escapar com o fio de Ariadne?
Ir-se de mim para o amor?
Para o indefinido futuro?
Buraco negro?
Para lugares que se perdem nos olhares dos que ficam e caminham nos desertos.
partir para lugares onde não se sabe qual a paisagem, como é o terreno?
Mas partir sem demora,
partir para o incalculável,
Usando a bússola de mistérios e o fio que produzi com as aranhas.
vestindo imagens espalhadas no ar: nua. sem culpa.
antes da partida colocarei na caixa: o grande peso de minha armadura,
os 30 anos, a filha yang, o outro, o medo da morte, o medo da loucura,
do ridículo, do não saber.
Mas deixarei a caixa aberta para que olhem a minha partida.
Para seguir preciso de uma armadura estufada de espuma.
que encha o corpo de espaço vazio.
Encha de esquecimento.
partir antes que seja tarde.
antes de esquecer que existe este espaço esquecido e repleto.
Cheio de imagens costuradas, lançadas ao vento, de cabeça pra baixo.
um grande varal de roupas voando que circunda a cidade, dando limite,
como se fosse sua muralha.
Cidade da partida.
lesmari
terça-feira, 2 de setembro de 2008
sobre desterritorialização
Suely Rolnik:
Os processos de “desterritorialização” estão exacerbados, ou seja, ocorrem em grande velocidade os muitos movimentos de perda de sentido, falência de sentido de um território.
Território não é somente um espaço ou tempo vivenciado pelo corpo, mas é algo que sustenta, mesmo que temporariamente, todo um modo de ser e de agir no mundo. Algo que pode ser “visto”, ou “sentido” pelo que o corpo expressa, e este corpo de sensação (corpo vibrátil) vivencia a desterritorialização como angústia: medo de morrer, medo de enlouquecer ou medo de não prosperar (perder credibilidade).
Para compreendermos esta questão, basta atentarmos para a grande quantidade de medicamentos produzidos atualmente, que tentam amenizar estes processos desterritorializantes: déficit de atenção, síndrome do pânico, depressão não são mais casos pontuais, muito pelo contrário. Buscando estabilidade engordamos a industria farmacêutica.

