“ Tempo Escondido - de Ná
Já levanto com tudo que tenho direito
E me mando em busca do tempo perdido
Evidente que eu tento de tudo que é jeito
Mas não acho meu tempo está sempre escondido
Já procurei no passado, já procurei no futuro
Já procurei no presente, já dei por perdido
Já procurei com cuidado, já procurei no escuro
Já procurei simplesmente atendendo a pedidos
Procurei meu amigo que é cara legal
Que tem tempo de sobra, período integral
Ele acha que o tempo, de modo geral
É uma perda de tempo, um atraso total
Ói que sacada genial, ói que sacada genial
Ele tem mesmo esse dom de dizer o essencial
É ponto fundamental, é ponto fundamental
Ele tocou nesse ponto, mudou meu astral
Claro que depois, pensando bem
Vi que também não era assim tão genial
Porque afinal, o tempo todo
O tempo tem, ou tem poder
Ou tem pudor, ou tem poesia
O tempo gera, todo dia
Um contraponto geral
Mergulhei outra vez nessa busca insana
Mas primeiro passei um bom fim de semana
Levantei quase tudo que eu tinha de grana
Na segunda pulei feito louca da cama
Não quis contemporizar, sai correndo buscar
Queria o tempo perdido de volta pro lar
Não era assim tão vulgar, nem nada espetacular
Era o meu tempo de volta ao devido lugar
Procurei outro amigo que é mais espontâneo
Foi colega de escola, meu contemporâneo
Ele acha que o tempo é um absurdo tamanho
E me botou pra fora e mandou tomar banho
Isso é politicamente, isso é politicamente
Isso é politicamente incorreto e estranho
É tão patético ter, é tão patético ter
É tão patético ter um colega tacanho
Claro que depois, pensando bem
Vi que também não era assim tão pueril
Porque afinal, o tempo todo o tempo vem
Não tem porquê, não tem porém
Não tem por onde
O tempo dura o quanto pode
É temporário demais
No entanto eu levanto uma hora mais cedo
E me mando pra busca do tempo perdido
Evidente que eu tento de tudo que é jeito
Mas não acho meu tempo, está sempre escondido
E me mando em busca do tempo perdido
Evidente que eu tento de tudo que é jeito
Mas não acho meu tempo está sempre escondido
Já procurei no passado, já procurei no futuro
Já procurei no presente, já dei por perdido
Já procurei com cuidado, já procurei no escuro
Já procurei simplesmente atendendo a pedidos
Procurei meu amigo que é cara legal
Que tem tempo de sobra, período integral
Ele acha que o tempo, de modo geral
É uma perda de tempo, um atraso total
Ói que sacada genial, ói que sacada genial
Ele tem mesmo esse dom de dizer o essencial
É ponto fundamental, é ponto fundamental
Ele tocou nesse ponto, mudou meu astral
Claro que depois, pensando bem
Vi que também não era assim tão genial
Porque afinal, o tempo todo
O tempo tem, ou tem poder
Ou tem pudor, ou tem poesia
O tempo gera, todo dia
Um contraponto geral
Mergulhei outra vez nessa busca insana
Mas primeiro passei um bom fim de semana
Levantei quase tudo que eu tinha de grana
Na segunda pulei feito louca da cama
Não quis contemporizar, sai correndo buscar
Queria o tempo perdido de volta pro lar
Não era assim tão vulgar, nem nada espetacular
Era o meu tempo de volta ao devido lugar
Procurei outro amigo que é mais espontâneo
Foi colega de escola, meu contemporâneo
Ele acha que o tempo é um absurdo tamanho
E me botou pra fora e mandou tomar banho
Isso é politicamente, isso é politicamente
Isso é politicamente incorreto e estranho
É tão patético ter, é tão patético ter
É tão patético ter um colega tacanho
Claro que depois, pensando bem
Vi que também não era assim tão pueril
Porque afinal, o tempo todo o tempo vem
Não tem porquê, não tem porém
Não tem por onde
O tempo dura o quanto pode
É temporário demais
No entanto eu levanto uma hora mais cedo
E me mando pra busca do tempo perdido
Evidente que eu tento de tudo que é jeito
Mas não acho meu tempo, está sempre escondido
“É muito raro, que se pense a temporalidade da psicose na clínica por um viés outro que não sobre o modo privativo e negativo, isto é: falta aos loucos isto ou aquilo”. Portanto, a dificuldade de acolhimento da multiplicidade dos tempos não permite uma visão capaz de enxergar as realidades que não seguem nosso modelo linear de tempo. Peter Pál Pelbart
2 comentários:
Satolep
Noite
No meio de uma guerra civil
O luar na janela
Não deixava a baronesa dormir
A voz da voz de Caruso
Ecoava no teatro vazio
Aqui nessa hora é que ele nasceu
Segundo o que contaram pra mim
Joquim era o mais novo
Antes dele havia seis irmãos
Cresceu o filho bizarro
Com o bizarro dom da invenção
Louco, Joquim louco
O louco do chapéu azul
Todos falavam e todos sabiam
Quando o cara aprontava mais uma
Joquim, Joquim
Nau da loucura no mar das idéias
Joquim, Joquim
Quem eram esses canalhas
Que vieram acabar contigo?
Muito cedo
Ele foi expulso de alguns colégios
E jurou: "Nessa lama eu não me afundo mais"
Reformou uma pequena oficina
Com a grana que ganhara
Vendendo velhas invenções
Levou pra lá seus livros, seus projetos
Sua cama e muitas roupas de lã
Sempre com frio, fazia de tudo
Pra matar esse inimigo invisível
A vida ia veloz nessa casa
No fim do fundo da América do Sul
O gênio e suas máquinas incríveis
Que nem mesmo Julio Verne sonhou
Os olhos do jovem profeta
Vendo coisas que só ontem fui ver
Uma eterna inquietude e virtuosa revolta
Conduziam o libertário
Dezembro de 1937
Uma noite antes de sair
Chamou a mulher e os filhos e disse:
"Se eu sumir procurem logo por mim"
E não sei bem onde foi
Só sei que teria gritado
A uma pequena multidão
"Ao porco tirano e sua lei hedionda
Nosso cuspe e o nosso desprezo!"
Joquim, Joquim
Nau da loucura no mar das idéias
Joquim, Joquim
Quem eram esses canalhas
Que vieram acabar contigo?
No meio da madrugada, sozinho
Ele foi preso por homens estranhos
Embarcaram num navio escuro
E de manhã foram pra capital
Uns dias mais tarde, cansado e com frio
Joquim queria saber onde estava
E num ar de cigarros
De uns lábios de cobra, ele ouviu:
"Estás onde vais morrer"
Jogado numa cela obscura
Entre o começo do inferno e o fim do céu
Foi assim que depois de muitas histórias
A mulher enfim o encontrou
E ele ainda ficou ali por mais dois anos
Sempre um homem livre apesar da escravidão
As grades, o frio, mas novos projetos
Entre eles um avião
O mundo ardia na guerra
Quando Joquim louco saiu da prisão
Os guardas queimaram
Os projetos e os livros
E ele apenas riu, e se foi
Em Satolep alternou o trabalho
Com longas horas sob o sol
Num quarto de vidro no terraço da casa
Lendo Artaud, Rimbaud, Breton
Joquim, Joquim
Nau da loucura no mar das idéias
Joquim, Joquim
Quem eram esses canalhas
Que vieram acabar contigo?
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