quarta-feira, 13 de maio de 2009

olho de casca-caracol


Olho de casca-caracol

Troquei meu olho
Barganhei, vendi, desfiz-me dele...
Numa esquina em preto e branco
do planeta dos meninos pelados
Meninos, meninas, pe-la-dos.

Troque num mercado de peixes
Numa ruela escura
De pedras escorregadias
Donde gerações ancestrais
Trocavam corações de touro, por ópio.
Fitas e pentes, por uma noite de embriagues.
Correntes e chicotes, por um vão de pernas.

Donde lindas prostitutas metiam
a mão por debaixo das anáguas,
e vendiam o que era delas.
Belas em seus cabelos ruivos erguidos
Em seus olhos maquiados e horrorizados... enormes!

barganhei...sim!
para que dois olhos iguais?!
Um me basta!
- Dou-te um delírio, você me dá este olho? - É pegar ou largar!
disse um velho de nariz apodrecido.
- Sim, dou-te minha lucidez! Derreto-me pelas calçadas.

Vendi, barganhei... e foi lá mesmo que encontrei
A casca-caracol que coloquei no lugar de meu olho
Pareceu-me uma boa escolha.
Para que se precisa de um olho que não vê?
Melhor será adornar este buraco escuro.

No lugar do olho coloquei uma casca-caracol
que encontrei pela manhã perto dos musgos do porto
olho de casca-caracol de fundo e superfície:uma joia!

A casca é uma escada que entra e sobe.
Ao mesmo tempo: fundo e superfície!
Só descendo que se sabe onde chega...
Só subindo que se sabe onde pára.
E se pára, é apenas por um tempo...
Até encontrar nova escada caracol.

Um comentário:

Olhozinho disse...

Vontade eu tenho!
Vontade de delírio
De ir do fundo à superfície...
Superfície lisa e gosmenta de conversa de superfície...
Deslize...
Conversa de lesma...
Palavras de lesma...
Delícia de lesma!

Te amo dentalícia lesmari!
Me liga no skipe pra gente deslizar...
Juro que melhorou
Eu tenho vontade!